AGRONEGÓCIO

Exportações do agro crescem 12,4% e chegam a R$ 29 bilhões

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As exportações do agronegócio de Mato Grosso do Sul alcançaram o equivalente a R$ 29 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 12,4% sobre igual período do ano passado. Soja e carne bovina lideraram as vendas, enquanto a expansão do etanol de milho ampliou o processamento da produção agrícola dentro do Estado.

Os valores das exportações foram convertidos pela cotação de R$ 5,10. Segundo levantamento do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), divulgado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), o volume embarcado entre janeiro e junho chegou a 10,15 milhões de toneladas, alta de 7,9%.

O agronegócio respondeu por aproximadamente 96% de tudo o que Mato Grosso do Sul vendeu ao exterior no período. A participação mostra o peso das cadeias agropecuárias, agroindustriais e florestais na geração de receita externa para o Estado.

O faturamento cresceu mais do que o volume exportado, indicando melhora no valor médio dos produtos embarcados. O desempenho foi puxado principalmente pela soja e pela carne bovina, que concentraram 55,4% da receita externa do agro sul-mato-grossense.

A soja liderou as exportações, com receita de R$ 10,1 bilhões no semestre. O valor aumentou 30,5% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o volume embarcado cresceu 21,4%. O grão respondeu sozinho por 34,8% das vendas externas do agronegócio estadual.

A diferença entre o crescimento da receita e o avanço do volume corresponde a uma elevação de aproximadamente 7,5% no valor médio da soja exportada. O resultado ajudou a compensar parte da pressão provocada pela queda dos preços no mercado interno.

O desempenho das exportações foi sustentado pelo aumento da produção. Mato Grosso do Sul colheu 16,744 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, crescimento de 19% sobre o ciclo anterior.

A produtividade média subiu 16,5% e atingiu 60,4 sacas por hectare. A área cultivada aumentou 2,1%. Os números mostram que a maior parte do crescimento veio do rendimento das lavouras, e não da expansão territorial.

O avanço da produção estadual acompanha uma safra brasileira maior. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima crescimento de 5,3% na produção nacional de soja em 2025/26.

O aumento do volume, porém, não garante melhora proporcional da renda do produtor. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) projetam queda de 9,18% nos preços da soja e retração de 4,60% no valor bruto da produção da oleaginosa em 2026.

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Na prática, a maior produtividade ajuda a diluir parte dos custos por hectare, mas o resultado financeiro continua condicionado às cotações, ao custo dos insumos, aos juros, à armazenagem e ao frete.

A carne bovina apresentou o maior crescimento entre as principais cadeias exportadoras de Mato Grosso do Sul. A receita chegou a aproximadamente R$ 6 bilhões no primeiro semestre, alta de 47,9% na comparação anual.

O volume embarcado aumentou 23,4%, enquanto a proteína respondeu por 20,6% das exportações do agronegócio estadual. A receita cresceu quase o dobro do volume, o que representa uma elevação próxima de 20% no valor médio da carne vendida ao exterior.

Esse movimento pode refletir preços internacionais mais elevados e maior participação de cortes de valor superior na pauta exportadora. O desempenho também evidencia a força da demanda externa pela carne brasileira.

As vendas cresceram mesmo com redução no número de bovinos abatidos em Mato Grosso do Sul. O total passou de 2,12 milhões de animais no primeiro semestre de 2025 para 2,09 milhões neste ano, queda de 1,6%.

A combinação de menos animais abatidos com aumento das exportações indica maior direcionamento da produção ao mercado internacional e melhor remuneração média dos produtos embarcados.

No cenário nacional, a bovinocultura de corte foi a única atividade pecuária acompanhada pela CNA e pelo Cepea a apresentar aumento no valor bruto da produção, com alta de 3,49%. A demanda internacional foi apontada como um dos principais fatores de sustentação da cadeia.

O avanço da soja e da carne em Mato Grosso do Sul contrasta com a perda de renda registrada pelo agronegócio brasileiro no início do ano. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor recuou 2,01% no primeiro trimestre, depois de interromper, no fim de 2025, uma sequência de resultados positivos.

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O ramo agrícola caiu 3,62%, pressionado pela desvalorização dos produtos, enquanto o ramo pecuário cresceu 0,70%. A redução dos preços superou os ganhos obtidos com o aumento da produção em diversas atividades.

Todos os segmentos que compõem o PIB do agronegócio apresentaram retração. A produção dentro da porteira caiu 4,15%; os insumos recuaram 2,15%; os serviços ligados ao setor diminuíram 1,25%; e a agroindústria apresentou baixa de 1,03%.

Além do crescimento das exportações, Mato Grosso do Sul amplia a industrialização do milho. A produção total de etanol deverá alcançar 4,93 bilhões de litros na safra 2025/26, aumento de 12% em relação ao ciclo anterior.

O avanço será puxado pelo etanol de milho, cuja produção deverá crescer 33,9%, de 1,59 bilhão para 2,13 bilhões de litros. O combustível produzido a partir da cana-de-açúcar deverá permanecer praticamente estável, com redução de 0,33%.

Com esse resultado, o milho deverá responder por cerca de 43% de todo o etanol produzido em Mato Grosso do Sul no ciclo. A expansão das usinas cria uma alternativa de comercialização para o cereal e reduz a necessidade de transportar toda a produção por longas distâncias até os portos.

A indústria também gera coprodutos destinados à alimentação animal, como os grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDG. Esses produtos podem atender confinamentos, granjas e fábricas de ração, aproximando a produção de milho das cadeias de carne bovina, suína e de aves.

No País, a CNA e o Cepea estimam que o valor da produção de biocombustíveis cresça 9,67% em 2026, acompanhado de aumento de 8,49% no volume produzido. A ampliação da capacidade industrial sustenta a expansão do etanol de milho.

Os números de Mato Grosso do Sul mostram duas frentes de crescimento. Soja e carne bovina ampliam a receita obtida no mercado internacional, enquanto o etanol de milho aumenta o processamento da matéria-prima dentro do Estado.

O desafio é transformar o crescimento da produção e das exportações em renda efetiva. Com preços agrícolas pressionados, o resultado do produtor continuará dependendo do controle dos custos, da disponibilidade de crédito, da capacidade de armazenagem e da eficiência da logística.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

STF julga leis contra Moratória; sem o acordo cultivo em áreas desmatadas cresceu 37%

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O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (12) o julgamento das leis de Mato Grosso e Rondônia que retiram benefícios fiscais de empresas participantes da Moratória da Soja. A análise ocorre em meio à divulgação de dados da Serasa Experian, apresentados pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que mostram crescimento de 37,2% no cultivo do grão em áreas da Amazônia desmatadas depois de julho de 2008.

Os dados não motivaram o julgamento nem foram divulgados necessariamente no mesmo dia da sessão. O levantamento passou a integrar o debate público sobre a continuidade da Moratória e reforça os argumentos das empresas e organizações que defendem o acordo. Entidades de produtores, porém, afirmam que os números mostram maior aproveitamento de terras já abertas, e não aumento recente do desmatamento.

O STF analisa duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs), de números 7774 e 7775, contra normas estaduais que impedem a concessão de incentivos fiscais e terras públicas a empresas participantes de acordos comerciais com exigências superiores às previstas na legislação ambiental brasileira.

Criada em 2006, a Moratória da Soja estabeleceu que as empresas participantes não comprariam nem financiariam soja produzida em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de 22 de julho de 2008. A restrição também alcançava propriedades com desmatamento autorizado pelo órgão ambiental, caso a abertura tivesse ocorrido depois da data de corte.

Segundo os dados apresentados pela Abiove, o cultivo de soja em áreas fora das regras da Moratória aumentou 101 mil hectares entre as safras 2023/24 e 2025/26, crescimento de 37,2%. Na comparação entre 2022/23 e 2025/26, a expansão chegou a 123 mil hectares, ou 49,1%.

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A Serasa Experian não dispõe dos dados referentes à safra 2024/25. A ausência impede identificar como ocorreu a evolução anual e em qual momento o crescimento se intensificou. Também não permite estabelecer uma relação direta entre a expansão da área cultivada e as primeiras ações contra a Moratória, apresentadas a partir de outubro de 2024.

O levantamento igualmente não demonstra que os 101 mil hectares tenham sido desmatados recentemente. Uma área é classificada como não conforme quando recebeu soja depois de ter sido aberta em algum momento posterior a julho de 2008. O desmatamento pode ter ocorrido vários anos antes e pode ter sido legal ou ilegal.

Para o presidente da Abiove, André Nassar, o ritmo de crescimento mostra que a Moratória desestimulava o plantio de soja nessas terras. “Nunca teve um crescimento tão intenso quanto agora. Antes, o crescimento dos plantios não conformes era mais perto de 30 mil hectares ao ano”, afirmou.

A interpretação da entidade é que o enfraquecimento do acordo pode aumentar o interesse econômico por áreas abertas depois de 2008 e, no futuro, ampliar a pressão sobre a vegetação nativa. Essa possibilidade também aparece em estudo publicado na revista Science, que projeta até 1,4 milhão de hectares adicionais de desmatamento na Amazônia nos próximos dez anos com o fim da Moratória. Trata-se, contudo, de uma projeção baseada em modelos, e não de desmatamento já registrado.

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Os produtores apresentam uma leitura diferente. Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, o crescimento revela o uso agrícola de áreas que já estavam abertas, sem comprovar novas derrubadas.

“O estudo não aponta aumento do desmatamento, mas do cultivo de soja em áreas consideradas não conformes com a Moratória”, afirmou. Segundo Beber, os alertas oficiais de desmatamento na Amazônia caíram 37,5% entre agosto de 2025 e maio de 2026, atingindo o menor patamar da série para o período.

Na prática, os dois lados interpretam de maneiras distintas o mesmo levantamento. A Abiove considera que o crescimento da soja nessas áreas evidencia a perda do efeito preventivo da Moratória. Os produtores sustentam que o avanço representa maior aproveitamento de terras anteriormente abertas e que não pode ser apresentado como prova de aumento do desmatamento.

O STF não decidirá diretamente se a Moratória foi eficaz na preservação da Amazônia. A Corte definirá se Mato Grosso e Rondônia podem retirar benefícios fiscais de empresas que aderem a compromissos ambientais privados mais rigorosos que a legislação brasileira. O resultado poderá afetar a relação entre produtores e tradings e estabelecer os limites da atuação dos Estados diante desses acordos.

Fonte: Pensar Agro

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